Alargamento da escolaridade obrigatória
Professores elogiam medida mas alertam para abandono escolar
22 Abril 2009
A Associação Nacional de Professores (ANP) considera positivo o alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos, mas destaca que antes o Governo deveria preocupar-se em resolver problemas como o abandono escolar.
O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou hoje, no Parlamento, que o Governo vai apresentar uma proposta para alargar a escolaridade obrigatória de nove para 12 anos e um programa de bolsas de estudo no secundário a partir do próximo ano lectivo.
"Trata-se de uma política estrutural de alargamento que, a nosso ver, sendo à partida uma medida positiva, exige a criação de condições para que aconteça", disse à Agência Lusa João Grancho, da ANP.
Entre as condições que falta criar para uma verdadeira implementação da escolaridade obrigatória de 12 anos, João Grancho salienta que são precisos "mais professores para esse alargamento e uma rede escolar maior, com mais edifícios".
"Há ainda uma outra muito importante, que é a necessidade de, antes de lançar essa medida, resolver a questão do abandono escolar na escolaridade obrigatória", salientou.
João Grancho considerou ainda que o lançamento destas medidas "tem a ver com o aproveitamento de alguma instabilidade na Educação, para demonstrar que o Governo está empenhado neste sector".
Para João Grancho, antes de medidas como as hoje anunciadas, era "preciso estabilizar o sistema educativo, apaziguar professores e pais e realçar a importância da própria Educação junto da sociedade, como garantia do próprio futuro do país".
"Se isso não se traduzisse num aumento da burocracia do sistema, deveria verificar-se um efectivo reforço da autonomia das escolas. Isso é que era uma verdadeira medida estrutural", considerou.
Em relação ao reforço de atribuição de bolsas de estudo aos alunos, este docente considerou que "tudo aquilo que tenha a ver com apoio aos jovens são importantes".
RCS
Lusa