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Secção de Bragança
Secção de Bragança
09-10-2005
Fórum Europeu em Bragança e Mirandela - Reflexões Finais
Página 5
Ser Professor no interior foi o tema de reflexão do III Fórum Europeu de Educação e, simultaneamente, 3º Encontro Luso-Espanhol, organizado pela Associação Nacional de Professores, que reuniu em Mirandela e Bragança, nos dias 29 e 30 de Abril e 1 de Maio de 2005, os quadros dirigentes da ANPE e ANP.
É objectivo destes encontros concretizar espaços de permuta de experiências, de análise e discussão da situação profissional dos professores e das políticas educativas da “aldeia global”.
O programa, abrangente e inovador, teve início em Mirandela com a projecção do filme “Ser e Ter”, com comentários de Henrique Ferreira da ESE de Bragança, Marisol Molina da ANPE e moderação de Mata Justo da ANP. Em Bragança, foram abordados os temas: “As escolas do meio rural transmontano” pela professora Evangelina Correia da Silva; “As escolas rurais de Castilla e León” pela professora Esther Rodriguez de la Peña e Aurélia de Dios Porteros; “O abandono escolar, (in)sucesso escolar e a desertificação em Trás-os-Montes” pela professora Gracinda Nave e “O abandono escolar, (in)sucesso escolar e a desertificação em Espanha,pelo professor Miguel Martin Jiménez.
Pela sua importância e pertinência os temas foram abordados por investigadores de reconhecido mérito de Espanha e Portugal, tendo sido destacadas as seguintes reflexões:
- Para a maioria das famílias do meio rural a escola oferece a única oportunidade para que possam adquirir competências que lhes permitam ultrapassar algumas das principais causas do seu subdesenvolvimento. Investir, por isso, nas escolas do meio rural existentes é um dever elementar que as administrações não podem em momento algum esquecer.
- O isolamento profissional é factor inibidor no processo de construção de uma verdadeira identidade profissional onde a solidão profissional gera conflitos interiores, causa ansiedade e empobrece os professores enquanto profissionais, as experiências de trabalho são menos enriquecedoras e não favorece o sentido de pertença ao grupo profissional, o que contraria o Relatório para a Unesco (1996) em que a educação para o Séc. XXI deve ser uma via privilegiada da construção da própria pessoa, das relações entre indivíduos, grupos e nações (...)
- A educação no meio rural deve estar enraizada no seu meio e oferecer igualdade de oportunidades para todos.
- A acção das escolas, enquanto factor de desenvolvimento local e regional, não garante por si só um combate eficaz à desertificação que hoje caracteriza a maior parte das regiões interiores do país.
A ANP e a ANPE solicitam aos Governos de Portugal e Espanha medidas que tenham reflexos importantes em:
- Na dignificação e promoção da função docente através da estabilidade de políticas educativas.
- Na situação económica, social e cultural do professor e das escolas rurais.
- Nas instalações e equipamentos pedagógicos e didácticos, com especial destaque para as tecnologias da informação e comunicação e a sua aplicação na sala de aula.
- Na formação inicial dos professores, contextualizada nos desafios que se colocam às sociedades contemporâneas em permanente alteração e mais adequada às especificidades do meio rural.
- Na participação empenhada da família, das comunidades e administrações locais.
Uma educação básica de qualidade e de sucesso será sempre o ponto de partida de qualquer estratégia de desenvolvimento sustentável que vise fixar as populações ao seu local de trabalho ou residência. 
Para isso, urge implementar políticas locais de educação, concertando, estrategicamente, escolas, famílias e autarquias.
 
Bragança, 1 de Maio de 2005
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