Jornal de Notícias, 20 de Março de 2006
Confrontado com a agressão, sexta-feira, a uma professora da Escola EB23 de Pedrouços, na Maia, que não deseja ser identificada, Adriano Teixeira de Sousa, da Federação Nacional de Professores (Fenprof), nota "tendência para o aumento da indisciplina" e justifica a reserva dos agredidos em identificar-se. "É difícil assumir em público que foi agredido", pois, além de represálias, o professor receia que a ocorrência seja interpretada "como falta de autoridade e de estratégia para enfrentar o problema".
Segundo o relato obtido pelo "Jornal de Notícias" junto de uma familiar, a professora foi agredida no peito, à cabeçada, e ao pontapé nos joelhos, por ter chamado a atenção de um aluno de 11 anos, que "dava cambalhotas no chão e saltava de cadeira em cadeira". Não teria sido a primeira agressão do aluno e haverá outros casos na mesma escola. O dirigente da Fenprof não se admira situações semelhantes têm sido reportadas noutras escolas EB23 e secundárias da região do Porto. Notícias recentes dão conta de casos em Braga, Ovar e Lisboa. Dados divulgados pela Lusa, citando o Gabinete de Segurança do Ministério da Educação, indicam, sem caracterizar a taxa de aumento, que no ano lectivo 2004/05 se registaram 1232 ofensas à integridade física em escolas.
"As coisas têm tendência a piorar", avisa o dirigente. A assessoria de Imprensa do ME nega "Tem havido redução dos incidentes de indisciplina, incluindo a violência contra professores, e não um aumento. As alegações em contrário, que alguns sindicalistas têm repetido na última semana, não têm base factual. O ME considera-as irresponsáveis porque criam uma ideia de insegurança nas escolas a partir de alegações falsas".
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