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«A partilha, por todos os professores, de ideias sobre o que é, para que serve e como deve ser exercida a docência é um elemento de enorme importância para a criação e fortalecimento do sentimento de pertença a um mesmo corpo e para a coesão entre todos os seus membros»
(Estrela, 1997:165)
Ao longo dos tempos, particularmente nas últimas três décadas, Ser Professor acolheu diversos e difusos sentidos, que ditaram uma crescente diluição da autonomia da profissão docente e deram simultaneamente lugar ao reforço da regulação do seu exercício pelo Estado. Desde a formação inicial, a certificação, o emprego, a regulação da profissão, a avaliação, o poder disciplinar, até à formação contínua, tudo está quase exclusivamente concentrado no Estado. A par desta realidade, e como consequência (?), assiste-se a uma diminuição crescente do seu estatuto profissional e social.
Nestas condições, será que vale a pena Ser Professor? É uma questão de grande pertinência, particularmente quando se verifica que os professores estão cada vez mais desacompanhados e entregues a si próprios, enquanto, por outro lado, crescem as pressões que sobre eles são exercidas pelo Estado e pelas famílias.
Por isso, todos os docentes devem questionar-se, autonomamente e com sentido de corpo, sobre os novos sentidos da profissão e sobre novas formas de (auto)regulação do seu exercício que lhes permita, para além de responder a todos os novos desafios, construir uma sólida identidade profissional escorada em elevados padrões éticos, deontológicos, científicos e pedagógicos.
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