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A temática desta edição das jornadas pedagógicas foi objecto de reflexão aprofundada, em alguns dos seus aspectos, na décima primeira edição, em 2002, quando se falou de “professores em tempos de mudança”.
A leitura das conclusões, no livro então publicado pela ANP, mostra-nos que o estatuto social e profissional se agravou significativamente passados que estão seis anos, bastando para isso citar alguns autores:
O bem-estar dos professores (…) só se consegue se a escola tiver mais recreios, se os professores forem menos sisudos, se os alunos puderem brincar mais e desenvolver também o espírito crítico … (Eduardo Sá)
O discurso pedagógico está hoje dominado por uma retórica assente em slogans interessantes, lúdicos e apelativos, os quais resultam de teorias que legitimam determinadas práticas. Um dos exemplos é “aprender a aprender”, o qual é tão defendido que os professores quase foram proibidos de ensinar. (Joaquim Vicente)
Em tempo de mudança, o que está em causa é a imagem dos professores. Mas que imagem é essa quando são dadas tantas competências aos professores que quase não têm tempo para ensinar… (João Ruivo)
A Associação Nacional de Professores defende que para combater a permanente e sistemática erosão da classe docente e melhorar a qualidade do ensino é premente a criação de um organismo de auto-regulação da profissão,
que vise a sua qualificação e da própria educação, consubstanciada num código deontológico docente. Neste contexto, estas jornadas pretendem ser mais um espaço clarificador de um novo sentido de profissionalidade, sustentada no que acreditamos ser um elemento qualificante da profissão – a auto-regulação.
António Trigueiros
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